
No dia 18 de junho de 2008 iremos completar 100 anos da imigração japonesa. Há um século atrás o navio Kasato Maru chegava ao Porto de Santos, trazendo as primeiras 150 famílias japonesas que sonhavam com uma vida melhor. De lá para cá, o Brasil já soma 1,5 milhão de nikkeis (descendentes de japoneses nascidos fora do Japão), tornando-se a maior comunidade nipônica do mundo.
E é nesse clima de comemoração dos cem anos de uma troca saudável entre culturas, que aproveito para indicar um excelente livro, HIROSHIMA de John Hersey, e aproveito também para inserir meu primeiro texto em meu blog, que trata-se de uma leitura crítica desse livro, feita na faculdade. Espero que vocês gostem:
E é nesse clima de comemoração dos cem anos de uma troca saudável entre culturas, que aproveito para indicar um excelente livro, HIROSHIMA de John Hersey, e aproveito também para inserir meu primeiro texto em meu blog, que trata-se de uma leitura crítica desse livro, feita na faculdade. Espero que vocês gostem:
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A BOMBA!
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“As sirenes tocaram, a população de Hiroshima está agitada e amedrontada pela iminência de um ataque. De súbito, um clarão. Uma gigantesca nuvem de poeira, calor e fragmentos de fissão ergueu-se no céu, caindo, depois, como gotas de uma chuva bizarra, procedente dessa mistura. Pessoas mortas, dilaceradas, mutiladas e queimadas, vítimas impotentes de uma das maiores covardias da história da humanidade: a bomba atômica.
No dia 6 de agosto de 1945, às oito e quinze da manhã, a bomba atômica explodiu sobre a cidade de Hiroshima. Um ano depois, John Hersey, a mando da revista The New Yorker, chagava ao Japão para fazer uma das mais brilhantes reportagens (que posteriormente virou livro) da história do jornalismo.
A cidade de Hiroshima tinha, em torno de 245 mil habitantes, dos quais morreram em decorrência da explosão, 100 mil. Dias e meses depois da explosão da bomba, muitas pessoas morreram de uma doença desconhecida, que mais tarde descobriu-se tratar da radiointoxicação, um dos efeitos da bomba de urânio. Os estatísticos calcularam que cerca de 25% das vítimas morreram em função de queimaduras, 50% em função de outros ferimentos e 20 % em função dos efeitos da radiação. Em 1950, verificou-se que a ocorrência de leucemia, e a incidência de outros tipos de câncer nos sobreviventes era muito alta, registraram-se problemas de crescimento em crianças expostas à radiação, com crianças nascendo com a cabeça menor que o normal. E no final dos anos 60, descobriu-se algumas aberrações cromossômicas em sobreviventes. O efeito da radiação foi tão devastador, que, segundo pesquisas, seria necessário um abrigo de concreto de 125 metros de espessura para proteger um ser humano da radiointoxicação.
Hersey ficou no Japão de 25 de maio a 12 de junho de 1946 e, nesse tempo, entrevistou seis hibakushas, a palavra japonesa para designar os sobreviventes da bomba atômica, são eles: Senhorita Toshiko Sasaki, Doutor Masakazu Fujii, Senhora Hatsuyo Nakamura, Padre Wilhelm Kleinsorge, Doutor Terufumi Sasaki e o Reverendo Kiyoshi Tanimoto. E toda sua estória é a estória desses seis personagens, desses seis sobreviventes. Imparcialmente, sem opiniões, sem nenhuma interferência estilística, Hersey descreveu todos os acontecimentos anteriores e posteriores à explosão, baseando-se única e exclusivamente nos relatos de seus entrevistados. Explanando sobre a vida simples e comunitária de antes da bomba, a raiva e a xenofobia de depois da bomba, e a nobreza oriental que mesmo estraçalhada pela explosão, mantinha-se intacta: “Desculpe-me por não carregar um fardo igual ao seu.”, frase do Reverendo Tanimoto, que a disse ao deparar-se com pessoas horrivelmente queimadas, sem poder ajudá-las. “Apesar do sofrimento que o rodeava, envergonhou-se de sua aparência e comentou com seu colega que parecia um mendigo”, passagem do livro que relata o sentimento do Doutor Fujii. Quarenta anos depois, Hersey retornou ao Japão para entrevistar as mesmas pessoas e completar o que já era quase perfeito, escrever o último capítulo de Hiroshima.
O livro HIROSHIMA foi todo escrito em terceira pessoa, com um estilo híbrido, uma reportagem quase literatura, mas direta e simples, sem enfatizar emoções, e sempre com a preocupação de não mediar os fatos. O principal diferencial de Hersey foi o enfoque escolhido. Ele não trazia nenhuma renovação técnica, nem dados desconhecidos dos efeitos da bomba, mas procurava humanizar o fato ocorrido através do relato oral de pessoas que tinham sobrevivido àquele desastre. Hersey deu uma identidade ao horror. Em 150 páginas e com 31.347 palavras, Hersey escreveu a primeira versão de um texto que se eternizará e ficará emblemático para a reflexão mundial.
Indubitavelmente o ataque americano à uma população civil indefesa foi uma vergonha. Quem sempre sofre com os genocídios em nome dos interesses políticos são os civis. Os Estados Unidos da América destruíram uma nação e depois a reconstruíram com a pretensão de que o povo japonês ficaria grato com isso. Doce ilusão. Por conveniência o Japão aceitou a ajuda norte americana e se reestruturou mais forte do que era, com sua auto estima mais elevada, com seu orgulho e patriotismo inabaláveis, mas com seu ego ferido, por isso é uma das principais potências bélicas e tecnológicas mundiais hoje, e um dos únicos países que não se submetem ao imperialismo americano.”
Eduardo Alvarenga
No dia 6 de agosto de 1945, às oito e quinze da manhã, a bomba atômica explodiu sobre a cidade de Hiroshima. Um ano depois, John Hersey, a mando da revista The New Yorker, chagava ao Japão para fazer uma das mais brilhantes reportagens (que posteriormente virou livro) da história do jornalismo.
A cidade de Hiroshima tinha, em torno de 245 mil habitantes, dos quais morreram em decorrência da explosão, 100 mil. Dias e meses depois da explosão da bomba, muitas pessoas morreram de uma doença desconhecida, que mais tarde descobriu-se tratar da radiointoxicação, um dos efeitos da bomba de urânio. Os estatísticos calcularam que cerca de 25% das vítimas morreram em função de queimaduras, 50% em função de outros ferimentos e 20 % em função dos efeitos da radiação. Em 1950, verificou-se que a ocorrência de leucemia, e a incidência de outros tipos de câncer nos sobreviventes era muito alta, registraram-se problemas de crescimento em crianças expostas à radiação, com crianças nascendo com a cabeça menor que o normal. E no final dos anos 60, descobriu-se algumas aberrações cromossômicas em sobreviventes. O efeito da radiação foi tão devastador, que, segundo pesquisas, seria necessário um abrigo de concreto de 125 metros de espessura para proteger um ser humano da radiointoxicação.
Hersey ficou no Japão de 25 de maio a 12 de junho de 1946 e, nesse tempo, entrevistou seis hibakushas, a palavra japonesa para designar os sobreviventes da bomba atômica, são eles: Senhorita Toshiko Sasaki, Doutor Masakazu Fujii, Senhora Hatsuyo Nakamura, Padre Wilhelm Kleinsorge, Doutor Terufumi Sasaki e o Reverendo Kiyoshi Tanimoto. E toda sua estória é a estória desses seis personagens, desses seis sobreviventes. Imparcialmente, sem opiniões, sem nenhuma interferência estilística, Hersey descreveu todos os acontecimentos anteriores e posteriores à explosão, baseando-se única e exclusivamente nos relatos de seus entrevistados. Explanando sobre a vida simples e comunitária de antes da bomba, a raiva e a xenofobia de depois da bomba, e a nobreza oriental que mesmo estraçalhada pela explosão, mantinha-se intacta: “Desculpe-me por não carregar um fardo igual ao seu.”, frase do Reverendo Tanimoto, que a disse ao deparar-se com pessoas horrivelmente queimadas, sem poder ajudá-las. “Apesar do sofrimento que o rodeava, envergonhou-se de sua aparência e comentou com seu colega que parecia um mendigo”, passagem do livro que relata o sentimento do Doutor Fujii. Quarenta anos depois, Hersey retornou ao Japão para entrevistar as mesmas pessoas e completar o que já era quase perfeito, escrever o último capítulo de Hiroshima.
O livro HIROSHIMA foi todo escrito em terceira pessoa, com um estilo híbrido, uma reportagem quase literatura, mas direta e simples, sem enfatizar emoções, e sempre com a preocupação de não mediar os fatos. O principal diferencial de Hersey foi o enfoque escolhido. Ele não trazia nenhuma renovação técnica, nem dados desconhecidos dos efeitos da bomba, mas procurava humanizar o fato ocorrido através do relato oral de pessoas que tinham sobrevivido àquele desastre. Hersey deu uma identidade ao horror. Em 150 páginas e com 31.347 palavras, Hersey escreveu a primeira versão de um texto que se eternizará e ficará emblemático para a reflexão mundial.
Indubitavelmente o ataque americano à uma população civil indefesa foi uma vergonha. Quem sempre sofre com os genocídios em nome dos interesses políticos são os civis. Os Estados Unidos da América destruíram uma nação e depois a reconstruíram com a pretensão de que o povo japonês ficaria grato com isso. Doce ilusão. Por conveniência o Japão aceitou a ajuda norte americana e se reestruturou mais forte do que era, com sua auto estima mais elevada, com seu orgulho e patriotismo inabaláveis, mas com seu ego ferido, por isso é uma das principais potências bélicas e tecnológicas mundiais hoje, e um dos únicos países que não se submetem ao imperialismo americano.”
Eduardo Alvarenga
1 comentários:
Mata a barata, por favor!!!!!!!!
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