segunda-feira, 12 de maio de 2008

O ABSTRATO ARTISTA ABSTRATO


Era um fim de tarde de uma quarta-feira de calor e eu perambulava por um dos ínfimos focos de cultura espalhados pela periferia de São Paulo. O nome do lugar até que era expressivo, “Casa da Cultura da Aldeia de Carapicuíba”, mas as instalações eram bem precárias, apesar da boa vontade de seus funcionários.
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Carapicuíba é um município da Grande São Paulo, localizado à margem esquerda do Rio Tietê, entre as rodovias Castelo Branco e Raposo Tavares, rodeado pelos municípios de Barueri, Jandira, Cotia e Osasco. A cidade foi fundada em 12 de outubro de 1950 pelo Padre José de Anchieta e foi uma das doze aldeias indígenas estabelecidas pelos jesuítas. Atualmente está tombada como patrimônio federal, e lá, em uma de suas casas, em 1992, foi fundada a tal da “Casa da Cultura da Aldeia de Carapicuíba”, onde me encontrava naquele fim de tarde.

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Entre algumas esculturas, carrancas e fotos amareladas, chamou-me a atenção a exposição de alguns quadros de um artista local (que nem me recordo mais do nome). Sempre tive um verdadeiro fascínio por quadros, principalmente pelos abstratos, pois simplesmente os achava bonitos. Depois de admirá-los, um a um, voltei a observar aquele que mais havia me impressionado. Tratava-se de uma grande tela, de cores vivas e traços harmoniosos, que parecia movimentar-se com o movimento de meus olhos, uma sutil obra de arte que contrastava com a rústica parede rachada e embolorada na qual estava pendurada. Enquanto ainda olhava o belo quadro, senti uma presença inquietante ao meu lado. Era uma simpático senhor que, mostrando-me os dentes num sorriso exagerado, abordou-me com um cumprimento delicado, e sem esperar que eu respondesse iniciou um ferrenho interrogatório: “Gosta de artes plásticas?”, “Gostou do quadro?”, “Fui eu que o pintei! Acha que tenho talento?”, “O que ele diz para você?”... À todas as perguntas emiti respostas verdadeiras e tentei ser simpático, mas a última pergunta daquele senhor emudeceu-me, “O que ele diz para você?”. Antes que eu pudesse reagir ele começou a explicar-me, cheio de orgulho, o que ele (o artista) queria transmitir ao público através de sua obra. Extasiado, filosofou sobre sentimentos, cotidiano, metafísica, existencialismo e outros, tentando relacionar tudo isso à abstração de sua arte. E orgulhou-se disso. Despediu-se de mim e retirou-se com a fisionomia de dever cumprido: teria arrebanhado mais um plebeu para o nobre mundo das artes.

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Eu não havia tirado os olhos do quadro, mas meus ouvidos contorciam-se com tanta asneira. Sentia-me simplesmente perplexo de como uma pessoa poderia tentar atribuir significado ao insignificável. Nunca fui PhD em artes, mas não sou um afetado pernóstico. Sempre tive a consciência de que as artes plásticas, são plásticas, ou seja, visuais. Elas não têm nenhuma obrigatoriedade de fazer sentido, têm apenas a incumbência de agradar aos olhos de quem as observa. Percebi que alguns artistas, os abstratos em questão, não têm noção de que são mais importantes que suas obras, e acabam atribuindo a elas seus anseios e divagações. E conclui que aquela magnífica tela era um excepcional exemplo de arte abstrata, mas seu autor era uma abstrato artista abstrato.

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POEMEDITANDO

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O MAR DA REFLEXÃO

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Ah! Inspiração inconstante,

Tu vagas nas correntezas do Universo.

Vem me fazer poeta!

Me faz divino em prosa...

Me faz divino me verso...

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Ah! Inspiração inconstante,

Alimenta meus anseios

Em prosa e em verso.

Contemplo o mar da reflexão,

Nele quero estar submerso...

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FRASE DA SEMANA

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“DESEJO SER UM CRIADOR DE MITOS, QUE É O MISTÉRIO MAIS ALTO QUE PODE OBRAR ALGUÉM DA HUMANIDADE.”

(FERNANDO PESSOA)

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1 comentários:

Aliz - jornALIZta disse...

Acho que terei de repetir, a cada nova poesia publicada: adoro sua poesia! Tão limpa, tão simples, sem essas frescuras de palavras rebuscadas, de loucuras impregnadas. Só poesia, só dança das palavras que rodeiam de um jeito diferente em cada olho que lê.
Adoro!

Seu blog está cada vez melhor.
Beijos