segunda-feira, 5 de maio de 2008

A PRAGA DE DEUS

O ser humano é um vírus!!!
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Sim. Já havia chegado a essa conclusão e ninguém tiraria isso da minha cabeça.
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Era madrugada... Uma luz brilhava em uma das várias janelas, de um dos vários apartamentos, de um dos vários prédios da Cohab de Carapicuíba. E naquele quarto jazia, em seu leito de vida e insônia, o rebento que aqui vos escreve, deitado em uma cama que ocupava metade do insalubre cubículo.
Refletia taciturno sobre o sentido da vida, ou a vida sem sentido, que levava, enquanto observava, impenetrável, uma barata que passeava tranqüilamente pelo teto do cômodo.
O pobre inseto não tinha a mínima consciência da grandiosidade de seu papel dentro da cadeia alimentar e da suma importância que tinha para o equilíbrio de nossa fauna. Trata-se apenas de um inseto que, como todos os outros insetos ou animais, adapta-se natural e instintivamente ao ecossistema onde vive, sem destruí-lo ou depredá-lo, com o simples objetivo de alimentar-se ou procriar. Já o idiota-sapiens chamado homem faz justamente o contrário, modificando, transformando e destruindo o ambiente onde se instala, em prol de sua fútil sobrevivência (como um vírus) ou da sobrevivência de sua vaidade. O ser humano é um ser egoísta e desprezível por natureza, que não consegue coexistir com nenhuma espécie – nem mesmo semelhante – sem querer subjugá-la e exterminá-la. Sua evolução é um processo de morte irreversível.
O mundo era um organismo sadio até ser infectado pela doença humanóide, e o ápice do desenvolvimento tecnológico será o fim de tudo. O homem é a praga de Deus.
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A barata que passeava pelo teto de meu quarto, agora descia calmamente pela parede, desbravando um desconhecido mundo de alvenaria. A primeira reação de qualquer pessoa seria, numa chinelada bem dada, “arrancar” a vida daquele repugnante inseto. Porém, a coitada da barata não me incomodava, pois eu sabia que ela não era um risco para mim, eu sabia que ela não queria “arrancar” minha vida numa chinelada bem dada. Ela simplesmente procurava alimento ou uma outra barata para uma tenra noite de amor. Pensei que, talvez, ela teria mais direito de estar ali do que eu. Talvez...
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Entre minhas vãs reflexões e meus concretos devaneios, o sono começou a abraçar-me e num último ímpeto de consciência filosofei que, talvez, a alienação causasse uma torpe sensação de felicidade e que as crises existenciais poderiam ser virtudes de iconoclastas. Talvez...
Dormi na confusão de minhas certezas, para acordar em um novo dia de um velho mundo, com novos pensamentos e novas verdades. Talvez, amanhã, eu mude de idéia e mate aquela barata com uma chinelada bem dada. Talvez não...
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POEMEDITANDO
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ANDANÇAS
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Existirá alvo para minha lança
Ou lutarei contra minhas próprias incertezas?
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Na consciência cheia de farpas
Ou na estultícia de toda essa inocência,
O sol e a lua serão pontos de referência
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Siga-os por toda sua vida,
Mesmo sabendo que nunca os alcançará
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Descobrirá que vai morrer sabendo quase nada,
mas, pelo menos,
Não viveu parado num mesmo lugar
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Sorriu e chorou sob o sol do meio-dia...
Sorriu e chorou sob os raios de luar...
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FRASE DA SEMANA
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“NOSSA MAIOR TRAGÉDIA É NÃO SABER O QUE FAZER COM A VIDA”
(José Saramago)
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2 comentários:

Vlad Carvalho disse...

Eh... de fato uma praga...
mas qdo encontramos obras feitas por esta espécie de praga, q conseguem brilhantemente reunir idéias, expressar sentimentos e mensagens ricas (como podemos encontrar em textos como os seus), entendemos então q esta praga tem tb as suas vantagens; O seu lado compensador; O seu lado construtivo.

Abçs

Aliz - jornALIZta disse...

Eu adoro a sua poesia!
O blog está lindo. Não, pare, não pare!
Beijos