segunda-feira, 2 de junho de 2008

A PALAVRA TEM PODER


Chovia forte em São Paulo, os pingos d’água caiam como chicotadas nos corpos dos proletários que iam e vinham pelas ruas encharcadas da Capital. O dia estava feio. As faces dos habitantes do asfalto estavam feias. E dentre tais rostos carrancudos, um em especial chamava a atenção: o rosto de um jornalista, taciturno em suas contemplações. Aquele que, enquanto o mundo fugia das intempéries, ele as caçava; enquanto todos fugiam das desgraças do mundo moderno, ele as acompanhava como uma sombra. Um caçador... Um caçador de notícias...
Essa figura contemporânea, meio anjo meio demônio, adorado por uns e odiado pela maioria, transitava naquele dia feio com a “obrigação” de cobrir os rotineiros alagamentos da cidade. Não era uma pauta que ele adorasse fazer, na verdade ele detestava, mas tinha de fazer. Abandonou o carro de reportagem e resolveu caminhar. Enquanto caminhava, ruminava seus pensamentos e sentia-se amargurado por sua concreta passividade. Oras! Ele era um romântico, um sonhador, uma simbiose de artista e jornalista, mas sentia-se acorrentado aos atuais dogmas da mídia acabocladora. Tinha de cobrir o supérfluo e o sem importância, enquanto seu desejo era desvendar as verdades do mundo. Sabia que, mesmo que descobrisse tais verdades, não poderia gritá-las aos ouvidos do povo inane, pois o silêncio é conveniente aos poderosos poderes. Por isso estava amargurado, estava obrigado a escrever sobre o que já escrevera, e ainda escreveria, uma infinidade de vezes.
O caçador não pode mais caçar. E quando tenta, não encontra sua presa, pois a verdade vem, há anos, sendo camuflada com máscaras de ouro ou com os mantos dos cargos e patentes. O jornalista está sendo abortado de sua criatividade e de seu instinto. As notícias estão sendo editadas como nas linhas de produção metalúrgicas. Onde está o romantismo? Onde está a poesia? Onde está a alma jornalística de outrora?
Apenas os próprios jornalistas podem melhorar e inverter essa situação. Pois a palavra tem poder, porém, os artífices da palavra, às vezes, não têm consciência do poder que têm.
.
(1º de junho – Dia da Imprensa)
.
.

.
POEMEDITANDO
.
.
VADIAGEM
.
Miragem...
Um basta à vida de vadiagem!
O vento leva e traz
E onde quer que eu vá,
Levo raios e trovões na bagagem.

.
.
.
FRASE DA SEMANA
.
.
“Os verdadeiros analfabetos são aqueles que aprenderam a ler e não lêem.”
[ Mário Quintana ]

.
.





2 comentários:

Anônimo disse...

Sua escrita não tem pretensão! Apenas é original como você, direto e sem hipocrisia. Gostei muito do livro, é de fácil leitura, prende a atenção e o melhor um final inesperado, diferente dos romances que vemos por aí. Deixou um gostinho de "Quero mais". Parabéns e se possível que venha o volume 2. BJs

Aliz - jornALIZta disse...

Eu sinto essas dores também! As dores de jornalista, de idealista, de humanista, de romântica. Eu sinto essa sede insaciável. Muitas vezes isso me desespera...

Beijo