
Célio Ricardo estava feliz, muito feliz. Filho único, passara muito tempo de sua vida dedicando-se aos estudos, depois ao trabalho e depois a cuidar de seus pais idosos. Mesmo após os velhos morreram ele só pensava em trabalhar. Mas isso iria mudar. Apesar de alguns namoros-relâmpago, aos seus 35 anos, ele nunca havia tido um relacionamento sério, duradouro. Mas eis que um dia apareceu Cláudia Maria, que, ao primeiro olhar de Célio Ricardo, foi coroada como “a mulher de sua vida”.
Apesar da certeza que ele tinha de que ela era sua alma gêmea, resolveu dar tempo ao tempo, para poder fazer tudo certinho: conheceu os pais da moça, pediu a permissão aos sogros para namorá-la e quando saiam sempre a deixava em casa antes das 23h. Durante um ano e meio estabeleceu-se essa rotina entre o casal... Até que ele decidiu que chagara a hora de a pedir em casamento.
A noite estava fria, mas o ânimo de Célio Ricardo estava fervente. Havia preparado uma surpresa para sua amada. A levou em um restaurante muito elegante e pediu um prato sofisticado. Ela adorou. Entre declarações e juras de amor, eles saborearam as fin
as iguarias. Como acompanhamento pediu um vinho. O garçom serviu um Porto e, após o brinde, Cláudia Maria sorveu junto com o líquido adocicado um reluzente anel de brilhantes, que ficou preso entre seus lábios (já estava tudo armado com o garçom). Os olhos da garota se arregalaram. Célio Ricardo, sem perda de tempo disparou: “Quer casar comigo?”. Com os olhos cheios de lágrimas ela pulou no pescoço do amado, lhe desferindo um beijo apaixonado, dizendo, “Claro, meu amor! É o que eu mais quero nessa vida!”. Clientes e funcionários do restaurante aplaudiram a cena romântica. O casal terminou seu vinho, acertou a conta e resolveu voltar para a casa da moça, pois ela estava ansiosa para contar as boas novas para seus pais.
Mas no caminho de volta, Célio Ricardo deparou-se com uma bliz policial. Consciente de sua postura ética e moral, que o fazia pensar que ele era um exemplo de cidadania à grande maioria da população, o rapaz obedeceu serenamente à ordem de parada da autoridade. Desceu do veículo, tirou seus documentos, que estavam todos regularizados, e aguardava pacientemente a liberaç
ão, quando o policial solicitou uma ação inusitada ao motorista, pediu para que ele se submetesse ao teste do bafômetro. Célio Ricardo nem hesitou, tinha certeza que não estava embriagado, e soprou com ímpeto o canudo acoplado ao equipamento. A resposta veio depois de alguns segundos. “O senhor terá que nos acompanhar até a delegacia! Segundo a Lei Federal nº 11.705/08, se for detectado qualquer nível de teor alcoólico no sangue de qualquer motorista, esse estará passível de multa de R$ 955,00, apreensão do veículo e poderá perder a carteira de habilitação! E se se envolver em algum acidente com vítima, responderá por crime de lesão corporal dolosa!”. Célio Ricardo ficou indignado e resolveu reagir: “Isso é um absurdo! Eu tomei uma taça de vinho para comemorar um pedido de casamento! Eu não estou embriagado!”. O policial foi enérgico: “Isso não é problema meu, meu senhor! Eu cumpro a lei! E se o senhor se recusar a me acompanhar, eu serei obrigado a usar a força e o senhor ainda poderá incutir em crime de desobediência e resistência!”.
Célio Ricardo ficou desolado. Cláudia Maria quase se afogava em prantos diante de situação tão constrangedora. Antes de entrar na viatura, ele solicitou um taxi para sua amada, deu-lhe um beijo e a “despachou” para casa. Já de dentro do guarda-presos, viu seu carro sendo guinchado. Célio Ricardo não estava mais feliz. Estava triste, muito triste, como nunca estivera antes, pois sempre havia se pautado pelo certo e tivera uma vida regrada, mas estava padecendo sob uma lei que emana de um autocrata que, por ironia do destino, é publicamente conhecido pelo hábito de consumir cachaça.
Apesar da certeza que ele tinha de que ela era sua alma gêmea, resolveu dar tempo ao tempo, para poder fazer tudo certinho: conheceu os pais da moça, pediu a permissão aos sogros para namorá-la e quando saiam sempre a deixava em casa antes das 23h. Durante um ano e meio estabeleceu-se essa rotina entre o casal... Até que ele decidiu que chagara a hora de a pedir em casamento.
A noite estava fria, mas o ânimo de Célio Ricardo estava fervente. Havia preparado uma surpresa para sua amada. A levou em um restaurante muito elegante e pediu um prato sofisticado. Ela adorou. Entre declarações e juras de amor, eles saborearam as fin
as iguarias. Como acompanhamento pediu um vinho. O garçom serviu um Porto e, após o brinde, Cláudia Maria sorveu junto com o líquido adocicado um reluzente anel de brilhantes, que ficou preso entre seus lábios (já estava tudo armado com o garçom). Os olhos da garota se arregalaram. Célio Ricardo, sem perda de tempo disparou: “Quer casar comigo?”. Com os olhos cheios de lágrimas ela pulou no pescoço do amado, lhe desferindo um beijo apaixonado, dizendo, “Claro, meu amor! É o que eu mais quero nessa vida!”. Clientes e funcionários do restaurante aplaudiram a cena romântica. O casal terminou seu vinho, acertou a conta e resolveu voltar para a casa da moça, pois ela estava ansiosa para contar as boas novas para seus pais.Mas no caminho de volta, Célio Ricardo deparou-se com uma bliz policial. Consciente de sua postura ética e moral, que o fazia pensar que ele era um exemplo de cidadania à grande maioria da população, o rapaz obedeceu serenamente à ordem de parada da autoridade. Desceu do veículo, tirou seus documentos, que estavam todos regularizados, e aguardava pacientemente a liberaç
ão, quando o policial solicitou uma ação inusitada ao motorista, pediu para que ele se submetesse ao teste do bafômetro. Célio Ricardo nem hesitou, tinha certeza que não estava embriagado, e soprou com ímpeto o canudo acoplado ao equipamento. A resposta veio depois de alguns segundos. “O senhor terá que nos acompanhar até a delegacia! Segundo a Lei Federal nº 11.705/08, se for detectado qualquer nível de teor alcoólico no sangue de qualquer motorista, esse estará passível de multa de R$ 955,00, apreensão do veículo e poderá perder a carteira de habilitação! E se se envolver em algum acidente com vítima, responderá por crime de lesão corporal dolosa!”. Célio Ricardo ficou indignado e resolveu reagir: “Isso é um absurdo! Eu tomei uma taça de vinho para comemorar um pedido de casamento! Eu não estou embriagado!”. O policial foi enérgico: “Isso não é problema meu, meu senhor! Eu cumpro a lei! E se o senhor se recusar a me acompanhar, eu serei obrigado a usar a força e o senhor ainda poderá incutir em crime de desobediência e resistência!”.Célio Ricardo ficou desolado. Cláudia Maria quase se afogava em prantos diante de situação tão constrangedora. Antes de entrar na viatura, ele solicitou um taxi para sua amada, deu-lhe um beijo e a “despachou” para casa. Já de dentro do guarda-presos, viu seu carro sendo guinchado. Célio Ricardo não estava mais feliz. Estava triste, muito triste, como nunca estivera antes, pois sempre havia se pautado pelo certo e tivera uma vida regrada, mas estava padecendo sob uma lei que emana de um autocrata que, por ironia do destino, é publicamente conhecido pelo hábito de consumir cachaça.
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De quem é a culpa? De Célio Ricardo, que alegou que não estava embriagado, mas apenas alcoolizado? Da polícia, que alegou que é mera cumpridora das leis? Ou do governo que trata o consumidor social de álcool como alcoólatra e não impõe sanções às empresas que fabricam e comercializam, indiscriminadamente, bebidas no atacado e no varejo?
De quem é a culpa? De Célio Ricardo, que alegou que não estava embriagado, mas apenas alcoolizado? Da polícia, que alegou que é mera cumpridora das leis? Ou do governo que trata o consumidor social de álcool como alcoólatra e não impõe sanções às empresas que fabricam e comercializam, indiscriminadamente, bebidas no atacado e no varejo?
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POEMEDITANDO
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POEMEDITANDO
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FILHO DA TERRA
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Como corcéis em disparada,
Aproximam-se negras nuvens
Brincando de tempestade
.
Gélidas flechas de chuva
Bailam ao movimento do revoltoso ar
.
O poder da natura
Em estrondosos trovões
Intimida ousadias de meros mortais
.
Sou filho da terra,
Mas perdi-me de teu seio.
Sinto meu coração inóspito...
Choro nesse lindo dia feio
.
FILHO DA TERRA
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Como corcéis em disparada,
Aproximam-se negras nuvens
Brincando de tempestade
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Gélidas flechas de chuva
Bailam ao movimento do revoltoso ar
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O poder da natura
Em estrondosos trovões
Intimida ousadias de meros mortais
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Sou filho da terra,
Mas perdi-me de teu seio.
Sinto meu coração inóspito...
Choro nesse lindo dia feio
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FRASE DA SEMANA
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FRASE DA SEMANA
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É absurdo dizer, conforme a linguagem popular, que alguém se esconde na bebida; pelo contrário, a maioria esconde-se na sobriedade.
(Thomas Quincey)
É absurdo dizer, conforme a linguagem popular, que alguém se esconde na bebida; pelo contrário, a maioria esconde-se na sobriedade.
(Thomas Quincey)
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3 comentários:
Hum... apesar de me esforçar para expor aqui comentários construtivos e opiniões definidas/estabelecidas, confesso q para o assunto em questão ainda não conseguir sair de cima do muro. Qdo digo muro, entendo q haja então apenas dois lados q poderiam se apoderar desta culpa (e ñ acredito q a polícia seja identificada como um destes lados, pois apenas executam aquilo q o Estado [q nós formamos/escolhemos] decide). A manutenção da minha posição 'em cima do muro' acontece pq conheço histórias e situações injustas como a vivida pelo casal de noivos; mas como sou um jovem rapaz q, as vezes, procura se divertir pela noite paulistana (rsrs), conheço tb tantas outras histórias de jovens, parecidos comigo, mas q ñ conseguem entender um copo de vinho como elemento usado para celebrar um momento de felicidade, nem têm vontade de beber um copo de cerveja após o expediente para dar só uma relaxada. Uma boa parte desta turma bebe pela simples razão de beber e nada mais, e seu objetivo geralmente é o de chegar à alteração de seu comportamento, sem mt razão pra isso.
Pq minha indefinição? Será justo considerar todos os casos (e são tantos) como iguais? Será possível tratá-los como diferentes? Será q os limites impostos de taxas de alcool no organismo são pertinnentes? Será justo q os 'responsáveis' paguem pelos 'irres...'? Será justo q os 'irres...' aproveitem das permissões q deveriam ser concedidas aos 'responsáveis'?
Sei lá... infelizmente minha resposta continua sendo: Não sei.
Tudo começa no primeiro gole. Creio que a desculpa de uma gota, um copo ou um tonel inteiro não seja suficiente para acabar com a dor de quem perde pessoas queridas em acidentes de trânsito causados por causa do álcool. É irresponsabilidade de quem bebe, pouco ou muito, sempre ou nunca. Quer comemorar algo, se divertir? Ótimo, mas não corra riscos e nem ponha a vida dos outros em perigo. Pegue um taxi, ônibus ou sei lá o que, só não espere acontecer, não pague pra ver. Todo mundo se acha bom demais e acredita mesmo que tem o controle da situação, até que a coisa acontece e nada mais pode ser feito.
Por mim, todo tipo de bebida alcoólica e drogas sumiriam de vez da face da Terra.
Deixa o Lula beber, ele tem motorista.
O blog está ótimo!
Beijos
Oi Du, tudo bem?
Por que você parou de postar? Seu blog estava uma delícia, eu sempre o acompanhei. Aconteceu algo?
Volte, por favor!
Beijinhos
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